same as it ever was

Feb 20 2012
movimentos-obliquos:

poderia ser algo positivo ver uma revista de tiragem nacional fazer capa com o humor nacional. são raros os momentos em que este campo é seriamente discutido. mas quando olhamos para a capa da visão e vemos nomes como nilton, jel & falâncio ou antónio machado, já sabemos que a coisa não vai correr bem. 
é triste. é demasiado triste o que acontece naquele artigo de oito páginas. o tema era perceber como é que o humor lida com a política nacional. mas em vez do assunto ser discutido com seriedade e sentido de humor (dois conceitos que não são de todo dissociáveis), o caminho escolhido pelos intervenientes é sempre o mais óbvio, o mais corriqueiro, resumindo a possibilidade de fazer humor com os discursos políticos vigentes a piadas ao nível de um mentecapto de dez anos. 
provavelmente por tudo isto é que a parte dedicada a ricardo araújo pereira está literalmente afastada de todos os outros. e é abismal a diferença entre o discurso deste e dos seus “colegas”. na entrevista feita a ricardo araújo pereira este consegue ter genuinamente piada “trabalhando” a partir do discurso político, problematizando-o de forma inteligente e hilariante. as suas palavras formam ideias com conteúdo, sem deixarem de servir boas piadas. 
e é precisamente isto que falta aos vários humoristas e actores de comédia que foram entrevistados para o artigo. falta um pensamento crítico sobre a política, os partidos, os seus discursos e implicações e conseguir, a partir daqui, questioná-los com humor. mas é muito mais fácil dizer algo como: “há falta de sexo no governo. certos ministros não o praticam suficientemente. vítor gaspar, por exemplo, tem de praticar mais. para ganhar ritmo. a fantasia dele é ter sexo mais duro, mas depois transporta essa dureza para a sua actuação como ministro. não é bom”, como refere a certa altura jel.
depois não digam que este país não odeia comédia.

movimentos-obliquos:

poderia ser algo positivo ver uma revista de tiragem nacional fazer capa com o humor nacional. são raros os momentos em que este campo é seriamente discutido. mas quando olhamos para a capa da visão e vemos nomes como nilton, jel & falâncio ou antónio machado, já sabemos que a coisa não vai correr bem. 

é triste. é demasiado triste o que acontece naquele artigo de oito páginas. o tema era perceber como é que o humor lida com a política nacional. mas em vez do assunto ser discutido com seriedade e sentido de humor (dois conceitos que não são de todo dissociáveis), o caminho escolhido pelos intervenientes é sempre o mais óbvio, o mais corriqueiro, resumindo a possibilidade de fazer humor com os discursos políticos vigentes a piadas ao nível de um mentecapto de dez anos. 

provavelmente por tudo isto é que a parte dedicada a ricardo araújo pereira está literalmente afastada de todos os outros. e é abismal a diferença entre o discurso deste e dos seus “colegas”. na entrevista feita a ricardo araújo pereira este consegue ter genuinamente piada “trabalhando” a partir do discurso político, problematizando-o de forma inteligente e hilariante. as suas palavras formam ideias com conteúdo, sem deixarem de servir boas piadas. 

e é precisamente isto que falta aos vários humoristas e actores de comédia que foram entrevistados para o artigo. falta um pensamento crítico sobre a política, os partidos, os seus discursos e implicações e conseguir, a partir daqui, questioná-los com humor. mas é muito mais fácil dizer algo como: “há falta de sexo no governo. certos ministros não o praticam suficientemente. vítor gaspar, por exemplo, tem de praticar mais. para ganhar ritmo. a fantasia dele é ter sexo mais duro, mas depois transporta essa dureza para a sua actuação como ministro. não é bom”, como refere a certa altura jel.

depois não digam que este país não odeia comédia.

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